ESCARLATINA

Visão geral: 
A Escarlatina é uma doença infecto-contagiosa causada por reação de hipersensibilidade a toxinas produzidas por uma bactéria chamada de Estreptococo beta hemolítico do grupo A, provocando um exantema (manchas vermelhas na pele), além do quadro sistêmico como febre e prostração. 

Essa bactéria também é responsável por provocar outras doenças em indivíduos diferentes como amigdalites (infecção de garganta), impetigo e erisipela (doenças de pele). O que diferencia da erisipela é exatamente a reação de hipersensibilidade as toxinas produzidas por ela no momento da infecção.

Idade habitual aparecimento: 
A doença que afeta principalmente as crianças escolares, muito raramente em crianças abaixo desta idade.

Forma de contágio: 
A transmissão ocorre de pessoa para pessoa, através de gotículas de saliva ou secreções infectadas, provenientes de pessoas doentes ou não. As pessoas sem sintomas (aparentemente saudáveis), podem ter a presença desta bactéria  na garganta ou nariz, e, se apresentarem como vetores, ou seja, pessoas sem sintomas da doença mas que transmitem o agente causador da referida doença.

Período de contato com a bactéria causadora da Escarlatina e manifestação do sintomas:
Esse período é variável, em geral de um a sete dias entre se infectar com a bactéria e manifestar sintomas da doença. Sempre lembrando que existem indivíduos que são infectados e não manifestam sintomas.

Sinais e Sintomas:
A Escarlatina é uma doença que geralmente é associada a uma infecção de garganta (faringo-amigdalite).

Após 24 a 48h do início do processo infeccioso na garganta, aparecem a erupção típica na pele.
O seu início é súbito com febre alta (geralmente acima de 39Cº), mal estar, dor  no corpo e na garganta, eventualmente vômitos e dor na garanta.

A febre elevada ocorre geralmente nos três primeiros dias, podendo durar até uma semana, diminuindo progressivamente a partir daí.

As lesões na pele (exantema) ocorre a partir do segundo a terceiro dia de doença, com inicio no pescoço e no tronco, progredindo em direção aos membros inferiores. O exantema é vermelho, pontilhado ou finamente papuloso. Em alguns pacientes é mais facilmente palpável do que visto, exibindo a textura de lixa grossa (pele de ganso):
                                          Exantema da Escarlatina.

Áreas com vermelho mais intenso são notadas nas pregas dos dedos, virilhas e fossas antecubitais dos braços (sinal de Pastia), poupando a região em volta da boca que se apresenta pálida , e nas palmas das mãos e pés. Essa erupção também atingem a língua, que se apresenta branca e saburrosa no início, ficando com aspecto de framboesa (lingua em framboesa) após:

                                          Língua em Framboesa.

A erupção da Escarlatina desaparece ao fim de seis dias, acompanhando-se de uma descamação fina durante alguns dias. Nas mãos e nos pés a descamação pode ser mais grosseira:
                                          Descamação das mãos na Escarlatina.

Complicações da Escarlatina: 
As complicações na Escarlatina são RARAS com tratamento medicamentoso adequado, porém, como qualquer infecção bacteriana pode haver complicações como: Otites, sinusites, laringites, meningite (na fase aguda da doença), e, complicações tardias como a febre reumática (lesão das válvulas do coração) e a glomerulonefrite (lesão renal).
As complicações são potencialmente graves e para diminuir a sua ocorrência é importante se fazer o diagnóstico e tratamento adequado, e, o paciente fazer o tratamento medicamentoso pelo tempo COMPLETO sugerido pelo médico.

Diagnóstico de Escarlatina:
O diagnóstico da Escarlatina geralmente é feito através da observação clinica dos sinais e sintomas dos pacientes. Porém, pode ser feito o diagnóstico confirmativo através de  pesquisa do estreptococo em esfregaço colhido através de Swab (cotonete próprio para uso em laboratório) da região nasofaringea, ou através de sangue com testes sorológicos.

Diagnósticos diferenciais da Escarlatina:
A Escarlatina deve ser distinguida de Sarampo, Rubéola, Eritema infeccioso,  mononucleose infecciosa, infecções enterovirais, exantema súbito, reações medicamentosas e doença de Kawasaki.

Tratamento:
O tramamento de escolha para a Escarlatina é a antibioticoterapia adequada, que conseguem eliminar os estreptococos, evitando complicações da fase aguda  e previne a febre Reumática, e, diminui consideravelmente o aparecimento das glomerulonefrites. 
Sempre lembrando que o tratamento medicamentoso deve ser prescrito por um MÉDICO para evitar as complicações da doença. Evite receber orientações de balconistas de farmácias, além de ilegal é perigoso.

Referências bibliográficas:
1. Behrman RE, Kliggman RM. Nelson: tratado de pediatria. Rio de Janeiro: Elsevier; 2005.

2. Herendeen NE, Szilagy PG. Infecções do trato respiratório superior. In: Behrman RE, Kliegman RM, Jenson HB, editors. Nelson Textbook of Pediatrics. 16 ed. Philadelphia: WB Saunders Company, 2000. p. 1261-1266.

3. DMG Duarte, Botelho C. Perfil clínico de Crianças Menores de Cinco Anos com Infecção Respiratória Aguda. J Pediatr (Rio J) 2000; 76:207-12.   

4. American Academy of Pediatrics. Uso criterioso de antimicrobianos. In: Pickering LK, editor. Livro Vermelho 2000: Relatório do Comitê de Doenças Infecciosas. 25 ed. Elk Grove Village, IL: American Academy of Pediatrics, 2000. p. 647-50.  

5. Artigo do professor Alexandre Vranjac, Centro de Vigilância Epidemiológica de São Paulo: O que você precisa saber sobre Escarlatina.



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